Mulher sorrindo toca a pele do rosto hidratada e luminosa, ilustrando a diferença entre ácidos e aminoácidos na pele

Ácidos e aminoácidos: qual a diferença na pele?

Publicado por Nádia Norberto em

Os nomes são parecidos, mas as funções na pele são muito diferentes. Entenda o que cada um faz e por que essa diferença importa na hora de montar a sua rotina. 

Glicólico, lático, mandélico, salicílico. Nos últimos anos, os ácidos se tornaram protagonistas do mercado de cosméticos e passaram a ocupar lugar de destaque nos rótulos, nas rotinas de skincare e nas redes sociais. 

Com tanta exposição, é natural que surja uma confusão: se a palavra "ácido" está no nome, os aminoácidos seriam apenas mais um tipo de ácido esfoliante? 

A resposta é não. Entender a diferença entre ácido e aminoácido ajuda a fazer escolhas melhores no skincare. Ácidos esfoliantes e aminoácidos podem ter nomes parecidos, mas desempenham papéis muito diferentes na pele. Enquanto os primeiros atuam na renovação da superfície, os segundos fazem parte do próprio sistema de hidratação natural da camada córnea. 

O que são os ácidos usados no skincare 

Na cosmética, os ácidos mais conhecidos são os hidroxiácidos, que se dividem em dois grandes grupos: 

  • Alfa-hidroxiácidos (AHAs): como os ácidos glicólico, lático e mandélico. São solúveis em água e atuam principalmente na superfície da pele. 
  • Beta-hidroxiácido (BHA): o ácido salicílico. Por ter afinidade com a oleosidade, consegue agir também dentro dos poros. 

Esses ácidos atuam sobre a coesão celular entre os corneócitos, as células que formam o estrato córneo, a camada mais externa da pele. Ao "afrouxar" essa ligação, eles facilitam o desprendimento das células superficiais. É o que chamamos de esfoliação química. 

Benefícios dos ácidos esfoliantes 

Quando bem indicados, na concentração e no pH adequados, os ácidos esfoliantes podem contribuir para: 

  • Renovação celular da pele: acelera a remoção de células envelhecidas da superfície. 
  • Textura e luminosidade: a pele fica com aspecto mais liso e viçoso. 
  • Uniformização do tom: auxiliam em protocolos para manchas e marcas. 
  • Controle da oleosidade: o ácido salicílico ajuda a desobstruir os poros e a regular o sebo. 
  • Apoio ao tratamento da acne: como coadjuvantes, sempre com orientação profissional. 

    Ainda assim, a própria ciência reconhece que o tipo e a concentração ideais de cada ácido ainda não estão totalmente definidos. 

Ácido esfoliante causa sensibilidade? 

Se os AHAs serão aliados ou vilões da pele depende, principalmente, da concentração. Ou seja: pode, sim. Frequência de uso, pH da fórmula, combinação com outros ativos e o estado da barreira cutânea também influenciam o resultado. 

Os sinais de que a esfoliação passou do ponto costumam ser: 

  • Ardor e vermelhidão ao aplicar produtos; 
  • Descamação excessiva e ressecamento; 
  • Coceira e sensação de pele "repuxando"; 
  • Sensibilização persistente, com reação a produtos que antes eram bem tolerados. 

E os ácidos ressecam a pele? Podem ressecar quando a descamação acontece mais rápido do que a pele consegue repor sua hidratação. 

Vale lembrar que ardor e descamação não significam eficácia: são sinais de alerta. Na pele brasileira, que pigmenta com mais facilidade, uma inflamação provocada pelo excesso de ácidos pode, inclusive, deixar manchas. 

Aminoácidos: o que são 

Os aminoácidos são as unidades que formam as proteínas do nosso corpo. E aqui está a curiosidade que explica o nome: cada molécula de aminoácido tem um grupo amino (-NH₂) e um grupo carboxila (-COOH), que apresenta caráter ácido na sua estrutura. 

Ou seja, o "ácido" do nome é uma característica da estrutura química, não uma ação esfoliante. 

Na pele, eles são os protagonistas do Fator de Hidratação Natural (FHN), também chamado de fator natural de hidratação ou NMF: o conjunto de substâncias que ajuda a camada córnea a atrair e reter água. Boa parte desses aminoácidos é formada a partir da quebra da filagrina, uma proteína da própria pele.

Para que servem os aminoácidos na pele 

Veja como os aminoácidos hidratam a pele e ajudam na barreira cutânea: 

  • Retenção de água: atuam como umectantes naturais da camada córnea. 
  • Suporte à barreira: contribuem para a integridade e a função de barreira da pele. 
  • Flexibilidade da pele: estudos sugerem que componentes do FHN ajudam a manter a fluidez dos lipídios da pele mesmo em ambientes secos. 
  • Descamação equilibrada: o FHN também participa do processo natural de renovação da camada córnea. 

O problema é que esse sistema pode ser reduzido no dia a dia. Pesquisas mostram que a remoção dos lipídios da pele somada ao contato prolongado com água aumenta a perda de FHN. Envelhecimento e exposição ao ambiente também alteram sua composição. 

Benefícios dos aminoácidos para a pele 

  • Hidratação da pele com respeito à fisiologia: repõem componentes que ela já reconhece. 
  • Mais conforto: ajudam a reduzir a sensação de ressecamento e repuxamento. 
  • Boa tolerabilidade: costumam ser bem aceitos por diferentes tipos de pele. 
  • Parceria com outros ativos: podem compor rotinas que também incluem ácidos, equilibrando renovação e hidratação.

Nem todo ácido esfolia: o caso do ácido hialurônico 

Assim como acontece com os aminoácidos, o "ácido" do nome do ácido hialurônico não indica ação esfoliante. Um dos ativos mais conhecidos do skincare, ele é formado por açúcares, e a denominação vem da estrutura química da molécula. 

Na pele, sua função é hidratar: ele atua como uma esponja, capaz de reter grandes quantidades de água. 

Entre os principais benefícios do ácido hialurônico, estão: 

  • Hidratação intensa: atrai e retém água na superfície da pele. 
  • Pele mais macia e viçosa: melhora o conforto e o aspecto de pele ressecada. 
  • Suavização de linhas finas: ameniza as linhas causadas pela desidratação. 
  • Versatilidade: costuma ser bem tolerado por diferentes tipos de pele, inclusive a oleosa. 
Ácidos esfoliantes, aminoácidos e ácido hialurônico: comparativo
  Ácidos esfoliantes Aminoácidos e FHN Ácido hialurônico
Onde atuam Coesão celular no estrato córneo Estrato córneo, como parte do FHN Superfície da pele e diferentes camadas, conforme o peso molecular
Como agem Favorecem a descamação Atraem e retêm água, contribuindo para a hidratação e a manutenção da barreira cutânea Atraem e retêm água, formando um filme hidratante
Resultado Renovação da superfície Hidratação e suporte à barreira Hidratação e sensação de pele mais macia
Atenção Concentração, pH e frequência Formulação e combinação de ativos Peso molecular e formulação

Isso não significa que ácido é "agressivo" e aminoácido é "calmante". Essa simplificação não é correta do ponto de vista químico. São moléculas diferentes, com funções diferentes, que podem conviver na mesma rotina quando bem indicadas. 

A questão biomimética 

Biomimética é a abordagem que reproduz estruturas e mecanismos encontrados em organismos vivos. No skincare, significa desenvolver fórmulas com componentes semelhantes aos que a pele já produz. 

A proposta não é "reconstruir" a barreira no sentido literal, mas biomimetizar componentes naturalmente presentes no fator de hidratação da pele, contribuindo para a retenção de água e para um ambiente mais favorável à função de barreira.

Ciência acessível para todos os tipos de pele 

A pele brasileira é diversa. Somos o país com a maior diversidade genética do mundo, e isso se reflete em peles que reagem, inflamam e pigmentam de formas diferentes. 

Por isso, na Riô SkinLab, cada fórmula é desenvolvida para ser compatível com diferentes tipos de pele: oleosa, seca, mista, madura ou sensível. Isso significa: 

  • Priorizar ativos biomiméticos, que a pele reconhece; 
  • Reduzir a carga irritativa, sem abrir espaço para excessos; 
  • Pensar no clima tropical, com texturas leves e sensorial adequado ao calor. 

Os ácidos têm seu lugar no skincare, especialmente com orientação dermatológica. Mas hidratar a pele de forma inteligente, com o que ela já conhece, é o ponto de partida de qualquer rotina. 

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